Fim da escala 6×1: estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação

Propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil dividem especialistas e entidades sobre impactos econômicos e no emprego.

Abr 28, 2026 - 15:20
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Fim da escala 6×1: estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação
Imagem de StartupStockPhotos por Pixabay

As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em debate no Congresso, têm mobilizado estudos com conclusões divergentes sobre os impactos na economia, especialmente com o possível fim da escala 6×1.

De um lado, entidades empresariais projetam efeitos negativos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima queda de 0,7% no PIB, enquanto a Confederação Nacional do Comércio (CNC) prevê aumento de até 21% nos custos da folha e possível repasse aos preços.

Por outro lado, análises da Unicamp e do Ipea indicam impactos mais moderados, com aumento médio de 7,8% no custo do trabalho e efeitos limitados no custo total das empresas.

Para a economista da Unicamp Marilane Teixeira, as diferenças entre os estudos vão além da técnica. “Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, afirma.

Ela também avalia que projeções mais pessimistas refletem a visão dos empregadores. “Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benefícios para o conjunto da sociedade”, diz.

Entre representantes da indústria, a avaliação é de perda de competitividade. “Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O economista da entidade, Marcelo Azevedo, aponta possível pressão inflacionária. “Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento”, afirma.

Já o técnico do Ipea Felipe Pateo questiona os cálculos mais elevados apresentados por entidades empresariais. “Mesmo olhando só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não tem como esse aumento ser maior do que 10%”, diz.

Segundo ele, o impacto nos preços tende a ser limitado. “O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto”, afirma.

Para Marilane Teixeira, não há evidência de pressão inflacionária generalizada. “Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial”, compara.

A divergência entre os cenários está ligada às premissas adotadas. Enquanto parte dos estudos considera que menos horas trabalhadas reduzem a produção, outras análises indicam que a medida pode estimular contratações, consumo e até ganhos de produtividade.

Entidades mineiras contra a medida

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) considera insustentável a proposta contida no Projeto de Lei (PL) enviado ao Congresso, que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. A entidade alerta para os riscos econômicos da medida, que pode impactar diretamente o emprego e o Produto Interno Bruto (PIB), sem a devida análise de seus efeitos sobre os trabalhadores.

Na visão do presidente da Fecomércio, Nadim Donato, o fim da escala só é viável economicamente, caso haja diminuição dos salários. “Se nós vamos reduzir o horário de trabalho, os dias trabalhados, nós iremos reduzir o salário, porque aí sim as empresas podem contratar mais”, disse.

O presidente da Faemg ainda pontuou as dificuldades que o setor agropecuário enfrentaria, caso haja a redução. “Nós do setor agropecuário produzimos alimentos e temos setores que são atividade contínua, como a produção leiteira. Nós temos que ordenhar as nossas vacas no sábado à tarde, no domingo, são 365 dias que há necessidade de um trabalho contínuo”, afirmou.

Com Agência Brasil

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